Análise do Centro de Votuporanga pelo Elieser


Histórico do Centro

Finalmente terminei a minha pesquisa histórica. E descobri que o início do funcionamento da cidade foi nas imediações da esquina da Rua Amazonas com a Rua Goiás. Os primeiros comércios, os grandes eventos, os pontos de encontro, a vida social, enfim, tudo ocorria nas vizinhanças desta esquina que era o ponto de atração que serviu de palco para os principais acontecimentos que ocorreram ao longo da história da cidade. Vejamos um resumo do começo dessa história.

A história do município está ligada ao ciclo econômico do café. Na década de 30, a área do Marinheiro de Cima pertencia a Francisco Shimidt, um grande fazendeiro, na época conhecido como "Rei do Café". Em 1936, o café não atingiu o preço suficiente para que Shimidt quitasse um empréstimo feito para custear a lavoura e, por causa das dívidas, foi obrigado a entregar as terras à empresa Theodor Wille & Cia. Ltda.

Esta empresa de origem alemã, com sede em Santos e proprietária das terras no chamado "Sertão de São José do Rio Preto" ou "Sertão Tanabiense", representada por Karl Helvig e Guilherme Von Trumbach, colocou a venda 12 mil alqueires da gleba apropriada de Shimidt.

Germano Robach, um dos primeiros compradores de lotes, solicitou a Sebastião Almeida Oliveira, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que fosse escolhido um nome para a cidade que estava por nascer. Sebastião sugeriu o nome "Votuporanga", que na língua Tupi Guarani significa “Bons Ventos”, “Bons Ares” ou “Brisas Suaves”. O nome proposto refletia a topografia do local e foi aceito sem ressalvas.

Votuporanga foi inaugurada no dia 8 de agosto de 1937. A grande festa contou com a presença de centenas de pessoas de todas as classes sociais vindas de localidades vizinhas. Durante a solenidade, foi levantado um cruzeiro, marco simbólico.

Padre Izidoro Cordeiro Paranhos (que dá nome a uma das ruas que nascem no centro de Votuporanga), representante do bispado de São José do Rio Preto celebrou a missa campal num altar improvisado. A festa foi um grandioso churrasco popular, animado com renomados violeiros da região.

A seguir veremos alguns flagrantes que ocorreram ao longo das décadas de 40 e 50 no centro de Votuporanga.

Rua Goiás esquina com a Rua Amazonas, na década de 40. A foto mostra a rua ainda sem asfalto Repare o cotidiano das pessoas: cavalos, chapéus, rodas de amigos, calça xadrez, terno, gravata e bem ao fundo carroças. Veja também estabelecimentos comerciais como: à esquerda a Casa Violeta e na porta o seu proprietário Sr. Nassif Miguel e sua filha e filho. Em seguida, a Sapataria Sanches, açougue, etc. À direita parte da Casa Paranhos de Cecílio Paranhos e a Padaria e Confeitaria São Jorge de Braz Salício.

Década de 1940. Armazém de secos e molhados, em alvenaria construída em Votuporanga. Pertencia ao Senhor Cecílio Paranhos. Fundada em 1937 e em 1943, transferida para Rua Amazonas, esquina com a Rua Goiás. Hoje, no local está o Supermercado Santa Cruz (unidade I), ao lado da Praça da Matriz. A Casa Paranhos abasteceu as necessidades da população votuporanguense durante muito tempo, sendo um referencial de grande importância para o desenvolvimento histórico.

Primeiro comércio segmentado de Votuporanga. O estabelecimento ficava na esquina da Rua Amazonas com a Goiás e pertencia ao Sr. Rachid Homsi.

Década de 40. O Bar e Cine Paramount em construção. Hoje faz esquina com a Rua Amazonas e Praça Fernando Costa. Neste prédio funcionou por muito tempo o serviço de alto-falantes “A Voz do Oeste.”

Rua Amazonas. A foto mostra a Casa Paranhos, importante estabelecimento comercial da cidade. Repare a rua ainda de terra, as pessoas entrando e saindo, carroças e transportes característicos da época.

Década de 50. A foto mostra a construção da Igreja Matriz “Nossa Senhora Aparecida”. Sua arquitetura representa uma cruz perfeita vista de cima. Destaque para a primeira capela que se localizava no largo da matriz, no local onde hoje está a fonte luminosa.

Freis capuchinhos e operários dentro da construção da Igreja Matriz. Anos 50. À esquerda Frei Damião, e no meio Frei Gregório de Protassi. A Igreja Matriz “Nossa Senhora Aparecida” foi na época, a construção mais grandiosa pelo seu tamanho e arquitetura.

Cine Votuporanga em tarde de matinê. Anos 50. Segundo relatos de quem era assíduo do local na época. O mesmo lotava em todas as sessões, exibindo filmes de Mazaropi, Menino da Porteira, etc.

Década de 50. Vista da primeira capela de Votuporanga. Local onde hoje está a fonte luminosa. Contam os moradores mais antigos que quando os sinos tocavam era o sinal de que a missa já ia começar. Ao lado realizavam-se as quermesses para arrecadar fundos para a construção da nova Matriz.

De tudo o que vimos acima, é fácil constatar a importância histórica deste centro. Tudo o que acontece hoje, na vida urbana da cidade, é eco do que aconteceu décadas atrás, quando a mesma ainda engatinhava.

Devemos ter a preocupação de manter vivo este espírito, tomando o cuidado de não ver esmagado ou destruídos os últimos sinais desta raiz em nome de um modernismo que procura desmontar o que é velho em troca de um novo, que nem sempre traz um ineditismo significativo. Na maior parte das vezes, basicamente, procura-se uma maximização de ganhos financeiros em troca da destruição de um patrimônio histórico, de uma herança que fortalece o “bairrismo” daqueles que se orgulham de viver nesta cidade.

Acredito que o poder público, deva começar a planejar algo que além de manter em funcionamento o intenso burburinho mercantil do local e vizinhanças, também mantenha vivo os pontos que ainda servem para nos avisar de onde vivemos. Esta conciliação deve possuir um conceito arquitetônico que faça esta ligação de forma harmoniosa, integrada, sem prejudicar qualquer um dos interesses legítimos que existem, tais como: quermesse, feiras, totens bancários, bancas de revistas, pontos de ônibus, etc.

Existe ainda um grande risco que a cidade corre, pois a sociedade moderna tende a partir para os grandes shoppings centers da periferia, fato que já ocorre em diversas outras cidades. Se isto ocorrer, poderemos assistir a um esvaziamento deste centro, matando de vez a “alma” desta cidade, encaminhando o nosso centro para o mesmo lugar que as outras cidades demonstraram, ou seja, local para excluídos, comércios de menor importância ou relevância, mendigos, etc.

Portanto, o meu foco será a esquina da Rua Goiás com a Rua Amazonas.



Categoria: Arquitetura e Urbanismo
Escrito por Elieser às 12h36
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Supermercado Santa Cruz

Eu gosto do estilo deste prédio.

Infelizmente ele está tão cheio de faixas publicitárias, além de envelhecido pelo tempo, que simplesmente fica ignorado pelo transeunte da rua Amazonas. É interessante observar que aquelas faixas são completamente inúteis, pois ninguem que passe de carro pela rua ou pela sua calçada terá ângulo para lê-las. Talvez quem venha da igreja, mas a verdadeira "cacofonia visual" de fios, panos, mofos, sujeira, etc. simplesmente afasta qualquer possibilidade de interesse na fixação de um olhar, mesmo que vago.

Na minha opinião, cabia aqui uma revitalização desta fachada, talvez uma pintura combinando com a cor dos vitrais (vitrais?). É um serviço de proteção ao patrimônio histórico, pois esta esquina é uma das mais antigas da cidade e completamente vocacionada para o comércio desde o seu início.

Pena que a Rua Goiás que forma essa esquina esteja tão abandonada e desprestigiada...



Categoria: Arquitetura e Urbanismo
Escrito por Elieser às 15h47
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Interferências Urbanas

Passeando hoje a tarde em torno da Igreja Matriz, levei um susto por uma série de detalhes que não havia parado para pensar.

Vejamos, porque nos preocuparmos em planejar um edifício dentro de um estilo, com um partido definido, se ao longo do tempo do seu uso, isso irá virar um mero detalhe, imperceptível para mais de 90% (minha opinião) da população? Será que vale a pena?

Vejamos a Igreja Matriz, em estilo neo-gótico que não deve ter ficado barato a seus construtores. Onde estão as fachadas?

Existe uma torre de Babel de interferências, desde a própria barraca da quermesse aos pontos de venda circunvizinhos.

Andando um pouco mais chegamos à Praça Fernando Costa que praticamente está completamente desfigurada. De um lado temos um quiosque que compete com toda a praça, pela sua cor vermelha.

No centro da praça, bem junto à fonte luminosa, que faz tempo que não é luminosa, temos uma feira. Não tenho nada contra as feiras, eu as acho importantes e necessárias. Mas se queremos preservar um patrimônio histórico e cultural de uma cidade, ele não pode ficar implícito debaixo de uma série de artesanatos e bibelôs. Deve existir uma outra maneira de se conciliar os dois interesses.

Indo em direção à Rua São Paulo, o meu queixo cai. Eu acho que vou trancar matrícula na Faculdade.

Colocaram uma rodoviária, com uma bilheteria em azul e branco, "LINDO DE MORRER", aliás de morrer mesmo e ninguem se dá conta.

Não precisamos exagerar e criar ônibus em estilo moderno ou contemporâneo...mas francamente...a praça foi atropelada.

No fundo da igreja temos um abrigo para espera de ônibus. Mais uma vez lamento a falta de integração ou associação, por similaridade ou contiguidade desta peça com o entorno. De um lado temos a igreja em estilo neo-gótico, do outro, temos a biblioteca em estilo moderno "escondido pelas árvores", e finalmente a concha acústica, com certeza, a estrela da paisagem. Por que não pensarmos um pouco e colocar um abrigo que faça essa transição ou que se associe com um dos partidos.

Nâo sei onde irei parar com esta análise... espero achar uma proposta conciliadora e não apenas gratuitamente crítica...



Categoria: Arquitetura e Urbanismo
Escrito por Elieser às 15h10
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Biblioteca Escolar Central "Castro Alves"

Onde fica?

Falando em centro de Votuporanga, existe a Biblioteca Escolar Central "Castro Alves" no fundo da Concha Acústica que passa simplesmente despercebida. Vi no jornal que hoje, dia 10 de outubro, haverá o relançamento do selo postal comemorativo dos Correios "Série América - Educação para Todos" com a reabertura da exposição de fotos históricas da cidade.

Fui lá e percebi de forma flagrante o descaso com a conciliação da arquitetura do edifício com todo o entorno, desde a concha acústica até as árvores que cresceram em demasia escondendo o estilo moderno daquela construção.

Para uma cidade que pretende ser a "Capital da Educação", aquela construção está abandonada, pelo menos esteticamente na parte externa, sem qualquer sinalização que a identifique. Ela compõe até uma "poluição visual" sobre a Concha Acústica.

Vejam um outro ângulo. Talvez uma pintura externa, conciliando as duas imagens tornasse menos gritante esse conflito.

Por enquanto estou reunindo as impressões, mas é interessante o fato de ficarmos hipnotizados no nosso dia a dia, passarmos incessantemente pelo local e não percebermos essas diferenças.



Categoria: Arquitetura e Urbanismo
Escrito por Elieser às 17h05
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Projeto

Data: 27/11/2007 - Hora: 08:00

Local: UNIFEV

Entrega do projeto a ser elaborado após a análise do centro de Votuporanga. O local e o tema serão parte da minha análise entregue no dia 30/10/2007 e irá refletir o estudo e pesquisa que eu tiver realizado. Conterá ainda os conceitos abordados e as reflexões sobre o centro da cidade.



Categoria: Evento
Escrito por Elieser às 12h04
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Análise do Centro de Votuporanga

http://

Data: 30/10/2007 - Hora: 08:00

Local: UNIFEV

Análise com expressão livre contendo fotos, desenhos, croquis, vídeos, depoimentos pessoais, etc. Incluir todo o processo de análise e de criação.



Categoria: Evento
Escrito por Elieser às 11h59
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Centro de Votuporanga

Antecipando a pesquisa histórica, encontrei um mapa de Votuporanga e recortei a parte do centro. Preciso ver aquele conjunto de quarteirões, desde a Concha Acústica e o jardim defronte à Igreja Matriz, chamado de Praça Fernando Costa, de cima. De imediato uma coisa que me incomoda neste trecho é o trânsito estrangulado, particularmente nos horários de pico, meio dia e 18 horas durante a semana e a parte da manhã no sábado. Parte das causas é devido ao supermercado existente na esquina da Rua Goiás com a Rua Amazonas e parte devido à grande concentração do comércio na Rua Amazonas.  É algo a ser pensado...

 



Categoria: Arquitetura e Urbanismo
Escrito por Elieser às 11h57
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Primeiros passos

Primeiro passo: Uma confissão!

O meu processo de criação não é dedutivo, se aproximando mais do processo indutivo, mas com um larga aplicação de insights intuitivos. Muitos deles não têm qualquer relação lógica com a proposição, só se justificando bem a frente, quando o problema estiver em vias de ser resolvido e eu tiver uma visão clara de toda a situação.

Assim, a minha primeira intuição sobre este trabalho é o seguinte: NÃO POSSO SABER PARA ONDE VOU, SE NÃO SOUBER DE ONDE VIM!

Portanto, o primeiro passo meu não será andar pelo centro de Votuporanga e sim fazer uma pesquisa no Museu Hístórico de Votuporanga. Estudar a formação desse centro, as propostas iniciais e o desenvolvimento ao longo do tempo. Acredito que isto irá me dar um alicerce para olhar com outros olhos o centro da cidade.

 



Categoria: Arquitetura e Urbanismo
Escrito por Elieser às 11h56
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Vamos ao trabalho.

Análise do Centro da Cidade de Votuporanga

Análise com expressão livre contendo fotos, desenhos, croquis, vídeos, depoimentos pessoais, etc. Incluir todo o processo de análise e de criação. Esta análise servirá de base para a segunda parte do trabalho que será:

Escolha de um local e desenvolvimento de projeto

Nesse caso, após a análise e processo de pesquisa acima, deverei escolher um local e desenvolver um projeto (livre) que deverá ser finalizado até dia 27/11/2007. O local e o tema serão parte da minha análise e deverá refletir o estudo e pesquisa que eu tiver realizado. Deverá conter ainda os conceitos abordados e as reflexões sobre o centro da cidade de Votuporanga.

Tenho que expor o meu processo de pensamento e a minha metodologia.

Prazo: 30 de outubro.



Escrito por Elieser às 21h20
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